SoundCloud está tentando se salvar a qualquer custo.

agosto 11, 2017

Será que agora vai? Empresa conseguiu fundos de emergência suficientes para continuar operando.



Se você vem acompanhando a saga do SoundCloud nos últimos meses sabe que um dos maiores serviços de streaming de música do mundo vem passando poucas e boas. A crise financeira chegou na empresa após desastrosos números com a receita gerada pela plataforma estarem despencando, resultando queda nas ações, demissão em massa de mais de 170 funcionários e o fechamento de 2 de seus escritórios. A perca de espaço no mercado é decorrente à chegada de novos serviços de streaming pagos como o Spotify, Apple Music e Dezzer.

Como isso aconteceu? Bom, infelizmente o SoundCloud ainda é uma das únicas plataformas que cobra artistas para realizarem upload de suas músicas sem nenhuma forma de monetização ou investimento retornável, seja através de anúncios ou assinatura de ouvintes comuns, apesar de tentar implementar esse sistema em alguns países, isso ainda não deu muito certo. A renda atual do site vem através de usuários do serviço premium que recorrem a ele para ter upload ilimitado e outras funções de gerenciamento de perfil. É necessário desembolsar US$15 por mês (cerca de R$47,00 na cotação atual do dólar) para ter todos os recursos disponíveis.

O SoundCloud é conhecido por abranger pequenos músicos independentes, e, a plataforma não retribuir pelo seu trabalho é um dos fatores mais desmotivadores e que vem fazendo a maioria dos artistas abandonarem o serviço. Com a chegada de novas opções no mercado que valorizam e remuneram esses artistas e que cada vez possuem uma base maior de usuários, ficou muito mais viável buscar outro lugar para lançar um EP, álbum ou single.

Caso você não esteja de contrato assinado com uma gravadora, existem sites como CDBABY.com por exemplo, que oferece distribuição em todo o mundo e em mais 95 plataformas de streaming e venda, incluindo Spotify, Apple Music, Itunes, Google Play Music e Dezzer, por uma taxa única de $9,90 por single e $29,90 por EP/álbum. Posteriormente eles retém apenas 9% da receita gerada pela venda e streaming de suas músicas. Além disso, sites como esse oferecem licenciamento de sincronização para TV, filmes e jogos, monetização de todo conteúdo no youtube que possuir suas músicas e muito mais.

Alguns artistas fazem submissões de parcerias para selos independentes e outras sites e as vezes não precisam desembolsar absolutamente nada. Claro, isso vai depender do seu talento e de achar um selo destinado ao seu gênero musical e que busque e se interesse por uma parceria com retenção de lucros ajustadas.

Outro fator que é um grande empecilho, é que o SoundCloud desde o seu princípio era uma rede muito usada por DJs para fazer upload de mashups, bootlegs e sets/mixtapes. As gravadoras nos últimos anos chegou ‘com os dois pés no peito’ exigindo a remoção de conteúdo ilegal da plataforma e se tornou praticamente impossível publicar qualquer coisa desse tipo por lá e milhares de contas e arquivos foram deletados fazendo essas pessoas a migrarem para outros serviços como MixCloud e Youtube.

Se o SoundCloud adotasse um sistema parecido com o YouTube por exemplo, onde caso você use músicas de terceiros em um vídeo a monetização é totalmente distribuída entre as gravadoras e artistas, e isso não seria um problema. Mas, nenhuma mudança relevante aconteceu nesses últimos anos que não o deixassem pior e ultrapassado. O que o SounCcloud precisa urgente é de atualização em tudo, e é o que parece que vai acontecer.

Após ser divulgado que o site só teria dinheiro para operar por mais 50 dias e relato de vários funcionários comentando a real falência da empresa, Hoje (11) o site TechCruch divulgou uma nota do SoundCloud a imprensa dizendo que adquiriu fundos de emergência suficientes para continuar operando. Mas uma das requisições para conseguir esse fundo financeiro seria a saída do CEO Alex Ljung (que continua como chairman) e a entrada do ex-CEO da Vimeo, Kerry Trainor no lugar.

A empresa não divulgou o valor exato do investimento recebido, mas seria algo em torno de US$ 170 milhões, o que parece suficiente para que o SoundCloud consiga sair dessa situação. Ljung explicou que a rodada de financiamento foi a maior da história da companhia, e que o SoundCloud continuará “forte, independente e está aqui para ficar”. O ex-CEO é conhecido por defender a independência de seu serviço, já tendo negado propostas de compras da Google e o próprio Spotify.
E o que esperar disso? Bom… Baseando no que disse anteriormente, é necessário reformular toda a ideia do que é o SoundCloud para atrair novos artistas e usuários. Basta torcer para que façam a coisa certa pelo menos uma vez.



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