Electric Zoo Brasil - Apesar da chuva e baixas expectativas, festival surpreendeu positivamente

abril 26, 2017

O festival Electric Zoo, produzido pela ID&T/SFX e organizada pela Plusnetwork aqui no Brasil, aconteceu no feriado da última sexta-feira, 21 de Abril, no Autódromo de Interlagos em São Paulo. Mesmo com previsão de muita chuva, reuniu 20 mil pessoas (público estimado).


O Brasil é um dos países que mais importa festivais, mas ainda está longe de conseguir se igualar com as versões originais. Digo isso em questões de adaptação, tanto lineup quanto a temática desses eventos sofrem alterações e no Electric Zoo não foi diferente. Apesar do palco principal (King Cobra) ser idêntico a da versão lá fora, faltou um pouco mais de estrutura ao seu redor. Acredito que a chuva foi um dos principais empecilhos por tirar um pouco do brilho do festival, mas que se saiu bem oferecendo 2 palcos cobertos e o espaço ‘’wild vip’’ com uma ótima vista do mainstage e um espaço consideravelmente grande que abrigou bastante gente da chuva e serviu como opção pra quem não queria utilizar a capa de chuva como look.

DESTAQUES

O lineup da versão americana é completamente diferente da versão Brasileira, que trouxe mais house em seu mainstage e nos palcos alternativos do que o trap/dubstep que comanda quase 100% do Electric Zoo NY. Não que isso seja ruim, acho que já se tornou algo normal; Quando anunciado a vinda de um festival de fora para o nosso país é de se esperar. O Brasil ainda não tem público suficiente para vertentes mais ‘undergrounds’ sem ser o já consagrado techno. O único evento que se manteve com todas as suas propostas (e que não deu certo) foi o EDC Brasil em 2015, com lineup composto de muitas atrações inéditas mas que não teve o público desejado, tendo de 10 a 20 pessoas no palco de dubstep em determinadas atrações.

Nisso o Electric Zoo se saiu bem. Os 3 palcos, incluindo Tree House Stage e Awakenings (um voltado ao Deep House e outro ao Techno), se mantiveram lotados durante a noite. Como nessa matéria da Revista Phouse diz, No Brasil, a EDM não morreu, ela apenas foi adaptada serviu bem para representar um deles, o Tree House Stage, sendo um dos palcos mais agitados e contagiantes do festival. Nomes como Liu, Malik Mustache e KVSH cativaram o público com seu bass house tirando a galera do chão assim como no Big Room do R3hab no mainstage.
O mérito de melhor set nesse palco fica com o jovem ‘KVSH’ que fez a galera surtar com seus drops e músicas originais.

No Awakenings, palco voltado ao techno, a brasileira ANNA foi o poder absoluto com um dos sets mais dançantes carregando o público com direito a b2b frenético com diversos DJs. Ela já é destaque internacionalmente e mostrou o motivo de ser uma das mais requisitadas em festivais de música ao redor do mundo. Pra quem começou a ouvir techno recentemente foi um novo despertar interessante e um dos poucos sets que valia a pena ficar até o fim.
Com tantos nomes fortes na cena, não só do techno, ela foi a única mulher a tocar no festival. Fica incompreensível a organização desse e outros festivais aqui no Brasil limitarem tanto nomes femininos no line up. Eu sempre comento com alguns amigos o quão foda é o trampo de algumas DJs que estão arrebentando tudo lá fora, não terem o devido espaço por aqui. Mas acredito que isso é uma questão para ser abordada outra hora aqui.



O destaque do mainstage fica com The Jillionare (Major Lazer), tocando hip-hop e todo estilo de som possível e fazendo a galera pular em baixo de muita chuva. Acompanhando de longe era possível ver os bracinhos das pessoas com a manga da capa de chuva pulando quase que em câmera lenta para cima em meio a uma tempestade. Foi cinemático, sério.

Alan Walker foi a surpresa da noite! Eu estava com receio de qual seria a reação do público com seu house totalmente diferente do convencional, mas parece que em suas apresentações ele sabe ser bem diverso ao tocar seus hits mesclados com electro e outras canções já conhecidas. Geral cantando o refrão de Faded saiu lágrimas dos olhos. — Ao chegar em São Paulo quinta-feira, coincidentemente ao entrar no shopping estava tocando essa música.

E o que dizer da introdução do KSHMR em português? É sempre muito bom ver que um artista prepara algo especial para seu público em outros países. O set dele foi incrível e valeu a pena procurar um lugar no meio do mainstage pra pular. Bônus para o b2b com Hardwell apresentando collab de música nova pela primeira vez.

Vintage Culture e Hardwell acabaram entrando na minha lista de sets meio repetitivos. Apesar de grande apelo do público, levando grande maioria dos outros palcos para o principal. No meu caso, curto bastante as músicas dos dois e admiro muito o trabalho deles, mas como já acompanhei vários shows, ao meu ver, não ofereceram muitas novidades em seus sets.

Até quem é feito de açúcar curtiu o festival

Conversei com pessoas que estavam vindo de outros estados com a turma ou sozinhos. Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro entre outros lugares. Eu, como representante quase-oficial de Florianópolis e festivaleiro nato, registrei o depoimento de alguns perguntando o que levam eles a sair de outros estados para curtir o festival em SP e se a chuva estava atrapalhando.

Mariana Ribeiro, 22 — Florianópolis
‘’Estava um pouco sem expectativas pro festival por causa da chuva e tal, o tempo estava muito feio quando cheguei em São Paulo e fiquei total desanimada pensando em não vir. Esperei acalmar um pouco pra sair do hotel e chegando aqui a vibe me contagiou. O palco de techno é muito foda, vou ficar nele até o final. Achei ótimo que fizeram uma tenda bem grande, eu pensei que seria tudo ao ar livre mas a organização foi sensata nisso’’

Guilherme Alfrade, 20 — Rio de Janeiro.
‘’Vim de ultima hora, sozinho mesmo! Eu comecei a gostar muito de música eletrônica de um tempo pra ca. Esse aqui é meu segundo festival depois do Ultra Brasil. Nem deu tempo de olhar a previsão do tempo mas a chuva é só um detalhe e to curtindo muito.

Ana Furtado, 19 — Belo Horizonte
‘’Eu to em todos os grupos de festivais que tem no facebook hahaha a turma sempre se reúne por lá e conheci muita gente bacana através deles. A gente marca esses encontros tudo pelo WhatsApp, como eu amo viajar to sempre dentro! Podia parar de chover, ficaria melhor pra dançar, mas to amando mesmo assim e já vim preparada!

Danilo, 22 — Recife
‘’Hardwell, KSHMR, R3hab eu to aqui por causa deles! Na minha cidade (pernambuco) tem poucos eventos assim pra não falar nenhum. Meu amigo aqui nunca foi em um festival to trazendo ele pela primeira vez! Estamos nos divertindo muito até agora, vamos aproveitar que a chuva parou para curtir o palco principal. Nossa viagem esta marcada pra amanha de manhã mas não sei se quero voltar não hahaha’’



SEGURANÇA — INCIDENTE

Infelizmente houve uma fatalidade no festival. Um caso isolado envolvendo 2 policiais fora de serviço (um civil e outro militar) e um segurança que tentou apartar a briga e acabou sendo atingido por um tiro no banheiro da área vip por volta das 2h da manhã. No momento, só algumas pessoas próximas ao banheiro ficaram sabendo do ocorrido ao ouvir barulho de tiros sem saber o que estava acontecendo. A organização do festival soltou uma nota oficial (leia aqui) em que diz não ter controle sobre porte de armas de fogo por policiais que estejam ou não em serviço e lamenta o ocorrido.

Fora isso, outros incidentes ou brigas não foram relatados.

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